terça-feira, 22 de novembro de 2011

Sonhos

Dorme neném
Que a sede não vem
A sede de crescer
E dessa vida sobreviver
Dorme
Enquanto tua mãe trabalha
E te deixa queimar
Enquanto o fogo se espalha
Dorme para não perceber
Que o teu maior erro, foi nascer

Dorme criança
Pois que no teu sono
Da fome não se tem lembrança
Dorme
Para que possa sonhar
E a esta vida
Um sentido dar
E uma mensagem levar
Criança, esperança!
Espere que um dia poderás ser criança

Dorme para descansar
Depois que teve que mendigar
E talvez,
A Cinderela venha te visitar
Dorme cara
Porque tu não sabes ler
Porque saiu da escola
Sem ao menos seu nome escrever

Dorme irmão
Que amanhã é dia de vender para poder lucrar
E fazer viajar
Uma realidade que faz desesperar

Dorme piranha
Que a noite é uma criança
Que você nunca vai ser
Dorme que você não vê
O seu corpo você vender

Dorme que o sono cura
Aquela maldita dor que dura
Dorme, mas não dorme muito não
Porque você vai ter que levantar desse chão
Chão frio que é dividido
Por muitos animais perdidos
E levanta para a realidade
Porque tu, grande
Vai ter que viver na maldade
E soca o teu desconhecido
Porque ele não conhece seu perigo

Dorme nessa escuridão
Dorme como cadáver no chão
Dorme nesta selva
Onde os bichos caçam a noite

Dorme para não caçar
Dorme para não ser caçado
Dorme para nunca mais acordar

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