
Eu estava em um lugar comum em um dia comum, quando você passou deixando apenas seu perfume para trás. A brisa tocou levemente os meus cabelos, desarrumando delicadamente cada fio. O vento vazio chegou frio na minha face acariciando as maças do rosto e me fazendo delirar. Não havia corrente de ar, mas foi só você passar e deixar seu rastro.
Você não me viu, apenas a sua brisa. Ela sim falou comigo. Mesmo assim, o vento estava gelado, porque veio vazio, sem amor, sem paixão. Veio triste e rápido, mas eu consegui pegar um pouco para guardar. Guardei o vento como guardaria um segredo. Escondi onde só eu pudesse lembrar onde guardei e recordar este momento.
Foi um vento. Um ar de esperança. Um sopro. Uma brisa quente agora que me enlaçou em seus braços e me esquentou. O vento foi sentido em cada parte do meu corpo. Nas pernas o arrepio foi sentido com dor, por não ter tido coragem de caminhar até seu corpo. Culpo-as até agora pela falta de valentia. Senti o calor da paixão quando percebi que poderia ter enrubecido o rosto. Por isso, olhei para baixo. Você não deve ter notado. Foi ai que percebi que o perfume ficou. O calor desta vez tomou conta do meu corpo. Como se estivesse febril senti o corpo suar por aquele resto de você ter ficado no ar. Mas você foi.
Pensei até que não voltaria mais. Fiquei desejando ouvir passos desajeitados, ouvir uma voz ou sussurro do vento, sentir você ajeitando o cabelo. Esperei pelo seu vento.
E ele voltou. Voltou agora para deixar sua essência e fazer companhia a minha alma antes só. Ela que estava guardada há tanto tempo. A sua brisa desta vez veio como um furacão que desenterrou todo o meu ser que estava tentando se esconder. Voltou mas novamente sem me perceber. E me pergunto até que ponto minha alma é tola por querer continuar sentindo este vento. O vento que resfria e me deixa doente. Que me distrai e me faz parar de pensar em tudo que pensei que era importante. Foi aí que percebi que apenas sua brisa importava. Nem que fosse só sua brisa. Mas um amor não sobrevive de sopros. Muito menos uma paixão. O vento quando muito gelado corta o rosto e resseca a pele, desfazendo tudo aquilo que foi construído. Machuca e desgasta, mas não destrói. Vento maldito.
Precisaria de um incêndio perto de mim para tirar todo o ar do local e quem sabe tiraria o meu também. Precisaria quem sabe de um vento vindo de outra região para que meu cabelo voasse para outro lado.
Mas por enquanto está calor e gosto de sentir sua brisa. Só espero que ninguém feche a janela ou a porta.
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